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25/06/2012

Da obesidade à anorexia após cirurgia de redução de estômago




Eu não poderia deixar de comentar sobre esta matéria, que certamente deixou estarrecido quem a assistiu.

É preocupante o estado de saúde físico e emocional desta moça, que foi da obesidade mórbida à anorexia, e caso não receba atendimento adequado urgentemente, perderá a sua vida.

Para quem não viu a reportagem dela, aqui está o vídeo:




Nesses anos de atendimentos a pacientes que realizam a cirurgia de redução de estômago, tenho visto que muitos não fazem ideia da importância do suporte psicológico deste processo todo. Inclusive esta mesma maioria demonstra estar  interessada em fazer apenas a avaliação psicológica, que, diga-se de passagem é obrigatoriamente um dos requisitos para que se opere, pois acredito que se não fosse assim , nem se submeteriam à avaliação, além de não retornarem para fazer o acompanhamento psicológico no pós-operatório.

 Infelizmente, tenho visto muitos se concentrarem apenas em emagrecer, depositando suas expectativas na cirurgia, acreditando que a mesma não lhe deixará mais com fome, que pelo estômago estar menor não caberá tanta quantidade de alimento, e que os esforços não serão mais necessários...

Acreditem, muitos não se preocupam com a saúde, nem física e nem emocional, revelam que imaginam, que após a cirurgia serão mais felizes, que se amarão mais, e que não haverá mais problemas na vida...

Até certo ponto, também considero a possibilidade de se sentirem mais felizes consigo mesmos, mas isso não significa que a satisfação pessoal tenha que estar limitada ao corpo magro e à beleza, visto que os problemas também continuarão existindo, como existe para todo ser humano, magro ou não.

Por isso, a importância das orientações e acompanhamento psicológico, seja no pré e pós-operatório. Toda situação nova gera estresse, mesmo que estejamos buscando coisas boas nesta situação. Até que a pessoa esteja adaptada ao novo estilo de vida, ela passará por momentos de estresse que é o modo como nosso organismo reage para poder sobreviver e enfrentar a vida.

A mudança após a cirurgia é realmente radical, e é necessário que a pessoa esteja ajustada psicológicamente para lidar com o que virá pela frente.

O acompanhamento psicológico, além de proporcionar conscientização de que a cirurgia é uma das ferramentas que ele dispõe para melhorar não só a saúde, como emagrecer, mas que ela não fará tudo pela pessoa, tem o objetivo de desmistificar crenças irrealistas sobre todo o processo, salientando que nada será útil se ela não mudar pensamentos e atitudes em relação à comida e a si mesmo. A terapia lhe ajudará gradativamente a se adaptar ao novo estilo de vida, bem como a lidar com sua nova imagem corporal, pois algumas pessoas entram em conflito diante desta nova identidade e passam apresentar diversos transtornos por conta disso e pela nova rotina alimentar.

Deixo meu recado de sempre: "EMAGRECER envolve aprender a se alimentar adequadamente, mas também é fazer uma faxina psicológica... Só mudamos comportamento quando alteramos algo em nossa mente, por isso que muitos emagrecem, mas não mantém a perda de peso a longo prazo, porque apenas restringiram a alimentação e não alteraram nada interiormente" (Carla Presutti)

Grande abraço e convido a todos a fazerem parte da minha nova página: http://carlapresutti.blogspot.com.br

Até breve!

Psicóloga Clínica Carla Presutti

17 comentários:

  1. História incrível mesmo... com certeza a parte psicológica é fundamental num processo de emagrecimento. Aliás, eu, que acredito não sofrer destes males (não sei né, somente um psicólogo saberia dizer isso), não consigo entender porque a pessoa não para de comer, ou, no caso do vídeo, porque ela não come, já que é óbvio, lógico, que seu corpo precisa de energia. Sei que, nas minhas outras tentativas de emagrecimento, não tive sucesso por preguiça, por desmotivar, o que, no fundo, deve ter uma base semelhante ao que acontece com obesos mórbidos e anoréxicos, mas em grau muito diferente. Agora, quando comecei a perceber que era a minha terceira tentativa para emagrecer (tinha conseguido um pouco das outras vezes e engordei novamente), percebi que se fizesse igual a antes não obteria sucesso e engordaria novamente. Então, simplesmente resolvi engrenar e passar a marcha, fazendo reeducação alimentar e ser mais assídua nos exercícios físicos. É como uma conta matemática 2 + 2 = 4, RA + AF = emagrecimento e vida saudável. Até fico agoniada quando vejo depoimentos no tipo "é mais forte que eu", "não consigo", apesar de eu mesma comer coisas, às vezes, mais calóricas - besteiras - mas sei que comi por que eu quis... não porque a comida entrou sozinha na minha boca. Tenho noção disso. A única coisa que me faz acreditar nos problemas que temos em relação à comida é a ausência ou presença em demasiado de substâncias / hormônios em nosso cérebro que acabam por contribuir em ansiedade, compulsão, depressão, etc., caso contrário isso realmente não haveria explicação para mim.
    muito bom o post!

    :D

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    1. Obrigada Thaís! Realmente, a comida não vem parar em nossa boca sozinha, nós controlamos ela SIM e é necessário que se ACREDITE nisso. Pessoas que se vêm como 'fracas' ou 'impotentes' diante da comida, certamente não terão motivação suficiente para agir controladamente. Nossa mente "É TUDO". Força Thaís, vc é capaz. Beijos no seu coração linda!

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  2. Carla, muito bom seu texto. Acho inclusive que ele serve como alerta, não apenas para quem faz uma cirurgia para redução de estômago, mas para todo e qualquer regime. Hoje o que mais encontramos em revistas de belezas são "regimes milagrosos" que prometem a solução de todos os problemas em poucos dias. Bom, como você mesmo disse, isso é uma falsa ilusão. Precisamos aprender a lidar com nossas emoções e verificar como estamos usando a comida para escapar delas. Bom, como você sabe, falo disso com certa propriedade, pois estou tentando aprender a lidar com meus sentimentos e abandonar a bulimia que foi para mim uma muleta para encarar o mundo e meus sentimento diante dele. Qualquer pessoa pode desenvolver um transtorno alimentar se não houver a devida "faxina psicológica". Mais uma vez parabéns pelo trabalho que tem desenvolvido.

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    1. Obrigada minha querida! Fico feliz quando te vejo por aqui. Força sempre! Beijos

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  3. Assisti a essa reportagem, fiquei chocada. Realmente é muito preocupante,precisamos pensar e repensar antes de tomar uma decisão tão drástica. Além de cuidar do corpo e fundamental cuidar do psicológico.Ótimo post!Abraços!

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    1. Sabe, não contra a cirurgia de redução de estômago, mas desde que ela seja necessária mesmo. O problema é que algumas pessoas depositam neste recurso o sucesso do emagrecimento, da felicidade e etc... Por isso, nem todos estão aptos a este procedimento. Precisam primeiro compreender o que SIGNIFICA emagrecer...

      Obrigada pela visita minha linda Elizandra! Beijos e volte sempre!

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  4. Assisti a matéria ontem na tv. Fiquei impressionada.
    Tenho uma amiga que fez a redução e acompanhei de perto todo o processo.
    Achei muito mais trabalhoso a mudança psicológica envolvida, do que o próprio emagrecimento e a recuperação pós cirurgia.
    O psicológico é muito mais complicado.
    As pessoas não nos amarão mais ou menos devido ao nosso peso. A diferença está no nosso amor-próprio. É ele que tem que aumentar quando nos sentimos mais felizes, mais saudáveis.
    Ótimo post.

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    1. Tem toda razão, a vida continuará sendo a mesma, quem precisa mudar é a pessoa... Beijos linda!

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  5. Eu já emagreci QUINZE quilos com reeducação alimentar.
    Como sempre fui gorda, as pessoas começaram a me elogiar e me olhar mt.
    Sendo, que sofro de timidez desde a infância.
    Comecei a me sentir esquisita, centro das atenções.
    Não estava gostando de chamar atenção.
    Engordei tudo de novo, mas ficar gorda me deixa depressiva, pq durmo mal, me sinto mal e sempre cansada.
    O psicológico, de fato, tem que ser levado a sério...

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    1. É importante trabalhar sua autoimagem Dani. Em breve escreverei sobre o assunto no meu outro blog, me siga lá: http://carlapresutti.blogspot.com.br Um beij~~ao pra vc!

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  6. Muito triste essa reportagem nossa...

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    1. Realmente Roberta.
      Dei uma passadinha no seu blog http://euqueroevouperderpeso.blogspot.com.br e adorei, muito fofo! Já linkei vc no meu blog de receitas! Beijos

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  7. É realmente muito difícil quando temos esse buraco emocional que falou na reportagem, a comida fica sempre a disposição e ataca-la é sempre mais fácil e prazeroso. Uma das coisas mais difíceis no meu processo de emagrecimento é aprender a lidar com isso e não acabar misturando as coisas. Sei que minha meta é emagrecer, mas ainda tenho que aprender a não relacionar meus sentimentos a comida.É bem complicado.

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  8. Sem dúvida Ju, a parte mais delicada de uma R.A. é lidar com os sentimentos. Força sempre! :D

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  9. Olá! Cheguei agora e adorei o blog!

    Eu vi a reportagem, antes ela tinha que emagrecer para não morrer e agora tem que engordar para não morrer!
    Dois extremos!

    Daí achei perfeito o título do teu blog! Emagrecer com a cabeça!

    Beijoca! Adorei, vou te acompanhar!

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  10. Entrei lá no seu blog e achei uma fofura! Também estou lá! Obrigada e seja Bem vinda! :) Bjos

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  11. Infelizmente passo pela mesma situação. Fiz redução de estomago em 2011 pq estava com obesidade mórbida e em 2013 com 36kg me encontro com anorexia. O que posso dizer é que estou arrependida de ter feito a cirurgia. :( Liana Pontes

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