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20/07/2012

Os outros que ajudam (ou não), por Contardo Calligaris

Li este texto e achei muito interessante o que este psicólogo descreveu, e por isso quero compartilhar com vocês para mais uma vez refletirmos sobre o assunto de todos os dias: Emagrecer, manter o peso, mudar os hábitos e ter uma vida saudável... Ah! Além de se amar mais e estar bem emocionalmente, é claro!
 

Vejam o que Contardo Calligaris diz:

‘Amigos e próximos, em vez de nos ajudar com reforços positivos, torcem contra nossos esforços para mudar’




Muitos anos atrás, conheci um alcoólatra, que, aos 40 anos, quis parar de beber. O que o levou a decidir foi um acidente no qual ele, bêbado, quase provocara a morte da companheira que ele amava, por quem se sentia amado e que esperava um filho dele.

O homem frequentou os Alcoólatras Anônimos. Deu certo, mas, depois de um tempo, houve uma recaída brutal. Desanimado, mas não menos decidido, com o consenso de seu grupo dos AA, o homem se internou numa clínica especializada, onde ficou quase um ano -renunciando a conviver com o filho bebê.

Ele voltou para casa (e para as reuniões dos AA), convencido de que nunca deixaria de ser um alcoólatra -apenas poderia se tornar, um dia, um "alcoólatra abstêmio".

Mesmo assim, um dia, depois de dois anos, ele se declarou relativamente fora de perigo. Naquele dia, o homem colocou o filhinho na cama e, enfim, sentou-se na mesa para festejar e jantar.

E eis que a mulher dele chegou da cozinha erguendo, triunfalmente, uma garrafa de "premier cru" de Château Lafite: agora que ele estava bem, certamente ele poderia apreciar um grande vinho, para brindar, não é?

O homem saiu na noite batendo a porta. A mulher que ele amava era uma idiota? Ou ela era (e sempre tinha sido) companheira, não da vida do marido, mas de sua autodestruição? Seja como for, a mulher dessa história não é um caso isolado.

Quem foi fumante e conseguiu parar, quase certamente encontrou um dia um amigo que lhe propôs um cigarro "sem drama": agora que você parou, vai poder fumar de vez em quando -só um não pode fazer mal.

Também há parentes e próximos que patrocinam qualquer exceção ao regime que você tenta manter estoicamente: se for só hoje, uma massa não vai fazer diferença, nem uma carne vermelha. Seja qual for a razão de seu regime e a autoridade de quem o prescreveu, para parentes e próximos, parece que há um prazer em você transgredir.

Em suma, há hábitos que encurtam a vida, comprometem as chances de se relacionar amorosa e sexualmente e, mais geralmente, levam o indivíduo a lidar com um desprezo do qual ele não sabe mais se vem dos outros ou dele mesmo.

Se você precisar se desfazer de um desses hábitos, procure encorajamento em qualquer programa que o leve a encontrar outros que vivem o mesmo drama e querem os mesmos resultados que você. É desses outros que você pode esperar respeito pelo seu esforço -e até elogio (quando merecido).



Hoje, encontrar esses outros é fácil. Há comunidades on-line de pessoas que querem se livrar de seu sedentarismo, de sua obesidade, do fumo, do alcoolismo, da toxicomania etc. Os membros de uma comunidade registram e transmitem, todos os dias, seus fracassos e seus sucessos. No caso do peso, por exemplo, há uma comunidade cujos membros instalam em casa uma balança conectada à internet: o indivíduo se pesa, e a comunidade sabe imediatamente se ele progrediu ou não.

Parêntese. A balança on-line não funciona pela vergonha que provoca em quem engorda, mas pelos elogios conquistados por quem emagrece. Podemos modificar nossos hábitos por sentirmos que nossos esforços estão sendo reconhecidos e encorajados, mas as punições não têm a mesma eficácia. Ou seja, Skinner e o comportamentalismo têm razão: uma chave da mudança de comportamento, quando ela se revela possível, está no reforço que vem dos outros ("Valeu! Força!").




Já as ideias de Pavlov são menos úteis: os reflexos condicionados existem, mas, em geral, se você estapeia alguém a cada vez que ele come, fuma ou bebe demais, ele não parará de comer, fumar ou beber -apenas passará a comer, fumar e beber com medo.

Volto ao que me importa: por que, na hora de tentar mudar um hábito, é aconselhável procurar um grupo de companheiros de infortúnio desconhecidos? Por que os próximos da gente, na hora em que um reforço positivo seria bem-vindo, preferem nos encorajar a trair nossas próprias intenções?

Há duas hipóteses. Uma é que eles tenham (ou tenham tido) propósitos parecidos com os nossos, mas fracassados; produzindo nosso malogro, eles encontrariam uma reconfortante explicação pelo seu.

Outra, aparentemente mais nobre, diz que é porque eles nos amam e, portanto, querem ser nossa exceção, ou seja, querem ser aqueles que nós amamos mais do que nossa própria decisão de mudar. Como disse Voltaire, "Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu".

Fonte:
Folha de São Paulo

‘Não faça dieta. Mude hábitos!’

6 comentários:

  1. Exatamente assim que acontece! Sem tirar nem por! Eu costumo ouvir: " Você AINDA está de dieta?" Como assim? Estarei de diet pro resto da minha vida! Só umzinho faz toda diferença sim! Principalmente pra quem AINDA não chegou no seu objetivo! Eu fui chamar atenção de uma amiga, que reclamava que estava muito empacada no peso, mas estava postando foto de uma garrafa de vinho numa terça à noite!!! A garota usou tudo o que tinha contra mim! Jogou tudo na minha "cara facebookquiana" É muito complicado! É preciso perceber quen está te "puxando pra frente" e quem te arrasta pras trás! As amigas que estavam com ela na hora do vinho eram TODAS MAGRINHAS! Aff desculpa o super texto, mas é bem por ai!

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  2. Concordo com você Janaína, quantas vezes vejo pessoas que estão na luta para perder, postarem imagens de doces e alimentos nada saudáveis... 'o que os olhos vêm estimula o paladar, a imaginação, etc...' fica difícil assim. Noto que falta muito posicionamento e firmeza em muitas pessoas que quererm emagrecer. Por isso que meu lema é: Emagrecendo com a CABEÇA! Mais uma vez bato na tecla, se não mudar conceitos, não haverá emagrecimento sustentável... Obrigada pela visita e sinta-se sempre a vontade para expor o que pensa. Este espaço é seu e estarei aqui para quando desejar desabafar! Beijos :D

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  3. Eita!!rsrsr...pesado hein!! A verdade é f%#=$....

    bjos amore!!

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  4. A D O R E I!
    Graças ao bom Deus meu grande exemplo de emagrecimento com RA e AF está dentro de casa que é minha mãe, exemplo alias de tudo na minha vida, mas é fato que vão sempre existir pessoas próximas com a velha frase: "só hoje, só um pouquinho não tem nada", mas e aí elas querem mesmo te ajudar?
    Cabe a nos mantermos o nosso foco e desviar essas pessoas do caminho e é fato que depois do blog eu fiquei mais animada, pois estou me relacionando com pessoas que tem o mesmo objetivo que eu e sabem das minhas necessidades e podem me ajudar com a experiencias deles também!
    Beijos no coração! :D

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  5. agora aprendi. não comento com ninguem q estou com reeducação alimentar...
    mas o maior vilão esta em casa, meu filho, jovem de 20 anos ama doces como eu. sempre boicotou minha dieta a ponto de comprar xoxolate e colocar na minha cara. tem 1 mes q ele começou uma dieta para o carnaval, os amigos todos estão faendo e emagrecendo, brigou pq eu não o ajudei. agora q comecei vamos, ver. ele de v enquanto da uma escapulida, mas cortou besteirol e ja emagreceu significativamente para 1 mes. espero q ele ñ me sabote, pq desta v eu ñ deixarei.

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